sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Conheça-se



Encontre a sua verdade
Encare a sua verdade
Propague a sua verdade
Seja a sua verdade
Magoe-se
Cure-se
Julgue-se

O Sol mais brilhante é a sua mais pura arma

Clement "Coxsone" Dodd disse, certa vez:



A lotta people wont get no justice tonight
So a lotta people going to have to stand up and fight

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Billie Holiday - "Strange Fruit"

Que expressão!
Que voz!
Que olhar!
Que performance!
Que letra!
Que música!

Cinco meses antes de sua morte. Quase acabada. Quase nas últimas. Mas ainda irradiando talento e competência.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Return Of The Super Ape

Taí o disco que - como dizem por aqui - "pancou a minha cabeça".



Sempre tive apreço por Bob Marley e sua obra, e é com toda justiça que o homem foi o senhor do Reggae, que começou como um jazz ensolarado e despretensioso, lá nos anos 50, na Ilha da Jamaica. O músico influenciou milhões de pessoas e fez com que os olhares do mundo todo se voltassem para a pequena ilha caribenha. Na segunda metade da década de 70 (curiosamente a época em que nasceu esse que vos escreve) houve um boom de artistas talentosos que apareceram. Todos, logicamente com menor visibilidade que Bob, que foi o grande "gênio da raça" do Reggae. Mas cada um dando seu próprio toque pessoal ao ritmo. Augustus Pablo usava a melódica (aquele instrumento de sopro com teclas) e tentava nos hipnotizar. The Congos usava de belos falsetes e flertava com a Disco Music. Black Uhuru, que criou uma nova espécie de fazer reggae, algo como Deep Reggae, mais denso e lento. Burning Spear, que continha uma banda fabulosa, com destaque para o baterista Leroy "Horsemouth" Wallace (o cara é simplesmente um monstro do ritmo! Tornou-se meu baterista favorito de todos os tempos)

Mas de todos que conheci o que me provoca mais entusiasmo é Lee Perry. É o que mais me faz a cabeça. Ando me alimentando dele aos quilos. O cara é um verdadeiro gênio quando se trata de manipulação do estúdio, afim de colocar "corpo" nas músicas. Chega a ser até um desperdício ouvir suas músicas num headphone ou em caixinhas de computador. São várias "camadas", nuances, tons... Impressionante para os parcos recursos que disponibilizavam por lá. Numa hora imaginamos que a música está diminuindo o ritmo, que está ficando mais lenta... mas é tudo impressão nossa. Na outra percebemos um instrumento que não havíamos notado antes... Coisa de gênio mesmo.

Lee Perry criou um grupo chamado The Upsetters. Algo como "a banda da casa". Upsetter era o seu próprio apelido, dado pelo não menos lendário Clement "Coxsone" Dodd. A banda era alugada para diversos artistas gravarem seus discos, isso era muito comum em várias gravadoras da época, no mundo todo (a Stax/Volt, por exemplo, tinha o grupo Booker T & The MG's). Em seu line-up a banda contou com inúmeros músicos, onde destaco Sly Dunbar, Robbie Shakespeare e Aston "Family Man" Barrett, músicos consagradíssimos. Bom... para saber mais sobre Lee Perry clique aqui, pois eu quero falar unicamente de uma obra específica.

Return Of The Super Ape é um disco iluminado. Do início ao fim recebe 10 com louvor. Não dá pra precisar quantos instrumentos foram usados e como Lee Perry fez para que tudo fosse gravado. O resultado foge à categoria de disco de reggae comum. As misturas que ele faz nos remete também ao gospel, música árabe, easy listening, e num delírio meu até ouvi uma influência de hard rock. Tento agora explanar sobre cada uma das faixas. Só não dá pra tentar explicar os instrumentos utilizados... aí é demais... rs.

A.1) Dyon Anaswa - O disco começa com o aviso de que o "Super Símio" está voltando. Num início quase marcial as coristas cantam como se estivessem louvando alguma coisa, quase como rezando. Uma prece alegre, e quase sem querer começamos a rezar também. Nada exagerado. Nada forçado. Trata-se de uma louvação com toques cômicos.

A.2) Return Of The Super Ape - A música homônima ao disco começa com uma mensagem dita em eco, e no seu decorrer essa mensagem continua, só que muito difícil de entender o que se fala. Na verdade essa música trata-se de um interlúdio. Uma vinheta. A bateria faz a marcação com o ximbau enquanto um trombone (ou algum outro instrumento de sopro) improvisa. Ao mesmo tempo ouvimos sons de coisas quebrando, como se um microfone estivesse numa sala fechada cheia de crianças brincando com porcelanas e martelos. No final o caos se instala. Música perfeita para a ação de algum filme de detetive estúpido.

A.3) Tell Me Something Good - Cover de Rufus & Chaka Khan. Música para casais bem-humorados dançarem. As coristas estão de volta pedindo para que digamos algo bom a elas. Perry meio que disfarça, mas depois comicamente diz "ai-ai-ai-ai-ai-ai-I Love You", como que para cada uma delas. Romântica, alegre, música de praia. A mais "pop" do disco.

A.4) Bird In Hand - Um exemplo da genialidade do cara. Mandei essa música a uma amiga de SP que é professora de dança do ventre, e ela me disse que é possível dançá-la, embora dê muito trabalho. Sam Carty dá voz à música, e canta como se estivesse ajoelhado em direção a Meca. É reggae, mas também é música árabe. O vocal pára antes da metade. Todo o resto do tempo é instrumental. A cacofonia que Perry produz não atrapalha em absoluto o andamento da música, quase que como nos hipnotizando.

A.5) Crab Yars - A primeira música desse disco que me pegou. Trata-se de um easy listening. Ou seja, harmônica, calma, tranquila...Mas como é uma música produzida pelo Lee Perry então não pode ser tão simples assim. Barulhos de telefones, sinos, e o que parece o relinche de algum animal... Tudo casado perfeitamente para nos hipnotizar e nada fora de contexto. A primeira vez que ouvi senti uma identidade bem brasileira nela. Me remeteu ao Rio de Janeiro nos filmes nacionais dos anos 70 e 80.

B.1) Jah Jah Ah Natty Dread - Vira o disco, então vira o mood também. Essa é dark, pesada, quase melancólica. Um baixo com toneladas de peso e um teclado fazendo uma ambientação fantasmagórica. A mais "sai-pra-lá" do disco. Não indicada a ouvintes que gostam de um reggae mais limpinho e pop. No meio da música há até um espaço para um erro de Perry, quando ele tosse no microfone. Essa aqui é suja mesmo. "We gotta get the vampire, we got to put him on a wire..."

B.2) Psyche & Trim - Essa aqui entorta o ouvinte menos acostumado. Eu recomendo para a galera que curte uma rave e acha que Psy-Trance é o supra-sumo da psicodelia. Um sino agudíssimo marca a música do início ao fim. A linha de baixo é simplesmente sensacional. É uma das minhas preferidas do disco.

B.3) The Lion - Uma imitação de um rugido de leão inicia a música. Ao ouví-la pela primeira vez eu lembrei de "O Passo do Elefantinho", do Henry Mancini. É quase infantil, mas ao mesmo tempo não se deve colocar uma criança pra ouvir... rs. Teclado jazzístico, guitarra "nervosa", e mais uma linha de baixo matadora. A essa altura o ouvinte leigo já deve ter se acostumado às cacofonias da produção de Perry...

B.4) Huzza A Hana - Uma voz sombria e extremamente grave marca a música do início ao fim. Um sax malandramente toma frente aos outros instrumentos, tendo seu ápice melódico no refrão. Parece uma música feita por algum doidão de New Orleans que passou alguns dias na Jamaica.

B.5) High Rankin Sammy - Devagaaaaaaaar, Leeeeeeeeeeeeeeenta. E parece que no decorrer da música ela vai ficando mais e mais lenta. Mais uma vez o sax marca presença juntamente com um teclado tipicamente dub e uma bateria "quebrada", com aquele barulho que faz da baqueta batendo no aro da caixa. Coube perfeitamente como fechamento do disco.


Uma curiosidade sobre o álbum é que todas as músicas têm quase a mesma duração. A mais curta tem 3'22", e a mais longa possui 3'45".


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100 discos - 1 quadro

terça-feira, 26 de agosto de 2008

It Must Be Reggae

Não há mais espaço para meus ouvidos que não seja Reggae. Há cerca de dois meses só tenho ouvido reggae e do reggae não saio.

Nada de Soul, Punk Rock, Jazz, ou qualquer outro estilo musical.

É claro que isso não vai durar pra sempre. Óbvio. Mas agora vejo esse gênero com outros olhos. Muito mais interessante que antes. E é necessário dizer que os olhos com que o ouvinte leigo enxerga o Reggae quase sempre é pejorativo (devido a ligação com a ganja), ou então limítrofe a ponto de dizer que reggae é Bob Marley e acabou.

Para quem acha que é tudo uma coisa só eu separei algumas músicas aqui bem emblemáticas. Estou longe de ser um grande entendedor, mas a cada dia me empolgo mais e conheço mais.


. The Congos - "Open Up The Gate"


. Sam Carty & Lee Perry - "Bird In Hand"


. Culture - "Two Sevens Clash"


. Black Uhuru -"Leaving to Zion"


. Big Youth - "Train to Rodhesia"


. Augustus Pablo - "Satta Dub"


. Lee Perry - "Curly Locks"


. Toots & The Maytals - "Funky Kingston"


. Peter Tosh - "Stepping Razor"


. Burning Spear - "Workshop"


. Dr Alimantado - "I Killed The Barber"


. Lee Scratch Perry & Mikey Dread - "Dread at the Mantrols"


. Willie Williams - "Armagideon Time"


. The Clash ~ "One More Time" e "One More Dub"


. The Gladiators - "Eli Eli"


. Desmond Dekker- "You Can Get It If You Really Want"

terça-feira, 12 de agosto de 2008

all work and no play makes fred a dull boy

all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy all work and no play makes fred a dull boy all work and no play makes fred a dull boy
all work and no play makes fred a dull boy
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all work and no play makes fred a dull boy
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all work and no play makes fred a dull boy
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all work and no play makes fred a dull boy


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segunda-feira, 14 de julho de 2008

EXÉRCITO: A INSTITUIÇÃO MAIS REPUGNANTE JAMAIS CRIADA NO PLANETA

"Tenho a sorte de não ter ido nunca à tropa. Jamais na minha vida toquei um fuzil nem pude superar a minha repugnância assombrosa pela cor dos uniformes. A única vez que matei alguma coisa eu tinha sete anos. Ia com um tio meu e um irmão maior; eu levava uma escopeta que errou sempre. O meu irmão matou dois tristes birulicos que logo nem comemos, e durante muitas horas depois senti uma espécie de oco na cabeça, como uma pergunta essencial, humana, libertária, sobre a inutilidade dessas mortes. A morte inútil de dois pássaros é o começo da barbárie.
O exército começa na violência inútil contra dois pássaros, na bofetada injusta de um pai em uma criança. O exército começa na ordem militar das famílias, no imperativo urgente dum homem que chega escravizado, e logo o exército cresce dentro de nós, como uma geometria inapelável, e estende-se ao domínio sexual, à violação, às discussões autoritárias, o exército estende-se ao trabalho onde reproduzimos uma hierarquia celestial, às aulas das universidades, às monarquias, a deus. E logo, quando já o exército contamina quotidianamente a alma e o cérebro, quando já assassinou a utopia com que nascemos e que algum dia havemos recobrar, então é singelo dar-lhe um uniforme, vesti-lo de verde, pôr-lhe um nome e um adjetivo, e acolhê-lo entre nós como se fosse natural e não uma trama dos poderosos e sua consciência para impedir a liberdade.



O exército não é só a instituição mais repugnante jamais criada no planeta: o exército é uma atitude, uma cultura, uma maneira de destruir as coisas. O grau de sofisticação dos instrumentos de destruição e morte é algo tão horrível que só nos pode levar a duvidar do sentido do universo. Há armas que estragam por dentro, deixando cavidades irreparáveis na epiderme. Há armas de metal pequeno que furam os caminhos harmônicos do corpo deixando ao sair rastros vermelhos e retalhos de carne. Há armas que estouram ao pisá-las, semeando orgãos sangrentos nas areias naturais. Há armas que matam lentamente: na sua agonia atômica o corpo perde a pele e os cabelos e acaba a vida entre vômitos vazios, impotentes. Há armas que matam muitos anos depois, de câncro e de cegueira. Há armas que deixam mapas queimados na pele, como macabras metáforas dos territórios ocupados: a Beira Oeste, a Faixa de Gaza, Irlanda. Há armas que asfixiam e armas que desmembram. E há armas que assassinam legalmente nas câmaras esterilizadas dos presídios, armas que eletrocutam com consenso, armas policiais que derrubam sujos ladrões urbanos na cumplicidade da noite, armas de álcool legitimado, armas de poderosas seringas, armas de palavras que insultam aos que falam ou escrevem diferente, armas anatômicas que violam meninas de dois anos, armas de tinta que assinam execuções e masculinas leis injustas.



Contra esta barbárie, contra este épico da morte, só nos cabe a insubmissão ativa. A insubmissão não é um ato político: é uma atitude, uma necessidade, uma aposta pela utopia que querem esmagar por lhes dar medo. Porque dá medo imaginar um lugar comum onde perdamos a noção do ser e da história e onde sejamos apenas a extensão humana do azar, outra forma da matéria, cada um na sua carne e tocando a dos outros, no território sem poder que levará sempre a espécie humana à inteligência. A insubmissão é mais do que uma náusea por matar: é a necessária revolta contra esta epopéia de miséria. Poderão desaparecer as castas militares. Poderemos aprender a controlar-nos mutuamente, sem pistolas, no consenso. Poderemos fingir que chegamos já ao limite da igualdade. Mas, enquanto existirem os presídios, as favelas, os bairros crematórios, enquanto existir uma fronteira real, existirá o exército."


Celso Alvarez Cáccamo

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Astral

Eu tenho uma prima astróloga, irislóloga, lóloga, lóloga e lóloga.
Ela parou uma vez na frente do meu mapa, que ela havia feito e disse: "escuta..."